domingo, 5 de junho de 2011

Roubo da minha carteira - Primeiro dia

Tive minha carteira roubada no dia 31 de maio. Cinco anos de serviço e nunca tinha sido vítima de algo do tipo. Em todo lugar acontece isso, todos sabem, só não falam.

Só notei o furto quando faltavam cinco minutos para o final do expediente, às 17h.

Dentro da carteira estava tudo, como sempre esteve. Meus cartões de crédito, todos meus documentos pessoais e etc. Nunca ando com dinheiro, quando muito, cinco reais para poder remendar o pneu da moto, nesse dia R$ 40,00.

O trágico ficou por conta da segurança falha. Explico.

Troco todas minhas senhas de tempos em tempos. Todas! Tinha trocado todas elas no dia 30 daquele mês. Ok.

Tive que, no dia seguinte, fazer a manutenção de alguns itens na minha moto. Como tinha trocado as senhas de todos os cartões no dia anterior levei-as comigo. Onde? Na carteira.

Quando cheguei ao serviço mal tive tempo de deixar minha digital no relógio de ponto. Já tinham pelo o menos duas pessoas solicitando minha presença. Sou aquele carinha que não pode passar pelo corredor sem alguém pedir ajuda para, exemplo, ensinar como negritar uma fonte no MS Word.

O dia corre. Ao fim do mesmo vou ao armário e reparo que minha mochila está com o compartimento onde coloco a carteira aberto. Olho e não a vejo. Procuro na gaveta e nada.

Fico feito maluco procurando embaixo de mesas, armários, banheiro e etc. Nada. Já passava das 17h. Fui até minha chefe, que ainda estava lá no serviço por ser dia de pagamento e comunico o fato.

Uma força tarefa é criada para procurar por algo que não foi perdido. Depois de aceitar o fato de ter sido roubado, quis acreditar que o maldito ladrão teria deixado pelo o menos meus documentos em algum lugar. Nada.

As 17:30 vou à delegacia para registrar o famigerado Boletim de Ocorrência – B.O. A ausência de uniforme à Polícia Civil é algo que me deprime. Pergunto onde faço a ocorrência para pessoas que não sei se trabalham lá ou não.

Ah Polícia Civil. Todos eles lá, sem identificação, a mesma cara... Nada de atendimento. Chega mais gente. Começo a sentir náuseas. Ah Polícia Civil. Não sei quem é quem.

Aquele era o primeiro dia de uma tal Delegacia Virtual, ou algo assim, já que o camarada que trabalha ali não sabia nem informar do que se tratava ao certo. Disse que poderia ser utilizado caso sua ocorrência fosse a perda dos documentos, ou não, já que não sabia mesmo! Não era meu caso.

Chegam duas mulheres vestidas de forma "ousada". O mesmo camarada começa a xavecar as moças. Uma delas diz ser jornalista.

Ela não era jornalista. Conheço jornalistas.

Ele desconfiou que elas seriam namoradas de seus companheiros de elite, GT3. Elas disseram que não. Ele ficou aliviado voltou as suas encantadoras cantadas de quem, pela idade, consome viagra. Foram ficando mais e mais constrangedoras. Ah Polícia Civil.

Continua chegando gente. Apesar de toda demora, as 18:45 sou muito bem atendido. Às 19h vou para casa.

Não tenho cabeça para ir para faculdade. As provas são nessa semana que vem e não tive cabeça para ir. Revisões.

Amanhã continua o resto da tragédia.