domingo, 30 de agosto de 2009

Cor do cabelo

Ao buscar minha esposa na rodoviária reparo seu novo corte e cor de cabelo. O corte muito me agradou, mas a cor estava completamente fora do contexto/nível social em que vivemos. Estava meio amarelo, meio laranja e boa parte preto. Fiquei chocado e não comentei nada de imediato. Viciado na rádio cbn, começamos a discutir a pauta do momento. Falavam sobre a Dilma Rousseff e a outra lá que não me recordo do nome agora. Na hora vem-me o flash do penteado da Rousseff na década de oitenta e início dos anos noventa. Vem uma súbita vontade de rir. Mas não ri, policiando-me para não parecer que estaria rindo do cabelo da minha esposa.

Blá blá blá político com um mix de intrigas corriqueiras em ambos ambientes de trabalho, deparo-me então com o portão de nossa casa e nossas três cadelas nos esperando. Cada uma mais empolgada que a outra para contar o que tinha ocorrido aquela tarde toda e claro, mendigando um pouco de atenção e comida diferente de ração. Na verdade imagino que para elas a ordem seria, primeiramente, algum aperitivo diferente e depois atenção. Percebi que não teria como não comentar sobre o cabelo.

Ao manobrar o carro na garagem, solicito a atenção dela para me certificar de que não vou arranhar o pára-choque. Ok, seria inevitável não perguntar sobre a intervenção na cor do cabelo. Ao descer do carro olho para ela, quase rindo, e pergunto:

- Então amor, pintou o cabelo?

- Ah, não, não é isso, comecei o processo para mudar a cor dele, só que não deu tempo de terminar hoje.

- Ah, pois é, está muito preto ai na nuca, e no restante do cabelo está... multicolorido.

- Então, não deu tempo de terminar. Amanhã eu nem vou passar no serviço na primeira hora, vou direto para a cabeleireira terminar, se não minha mãe me mata. Ela viu e já fez escândalo.

Todo o diálogo com uma dose de humor saudável.

No outro dia, ao buscá-la, logo trato de analisar o estado do cabelo. Corte: impecável - Cor: duas cores. Dessa vez de moto, o trajeto se torna um pouco mais silencioso. Uma vez ali, a atenção ao trânsito tem que ser triplicada, afinal, quem vai na garupa é a futura mãe dos meus filhos.

Ao chegar em casa, solto a máxima:

- Então amor, quando é que vai conseguir tempo para arrumar de uma vez por todas seu cabelo?

- Rodrigo, era essa a cor que eu queria.

- Mas está preto e marrom!

- A parte mais clara são luzes. A cor é chocolate.